A presença da dor na região da ATM em repouso ou durante a movimentação da boca é o sinal mais comum. A dor de ouvido pode ser o primeir...



A presença da dor na região da ATM em repouso ou durante a movimentação da boca é o sinal mais comum. A dor de ouvido pode ser o primeiro sintoma. Por vezes a dor difusa da face, sem localização precisa, ora na região temporal, ora na parotideana, ora nos dentes, confundindo o paciente, faz com que ele procure os mais diversos especialistas, sem sucesso de alívio (dor reflexa e dor referida). A história de mau relacionamento em casa ou no trabalho, de apreensões, de medo, está quase sempre presente. Com o indivíduo de boca fechada e o maxilar em repouso os dentes não se tocam, e a simples percepção de que os dentes estejam se tocando significa alguma forma de tensão existente.

A dor pode surgir de modo espontâneo e desconhecido, ou durante o sono comprimindo a face do lado da dor no travesseiro, ou após forte mastigação de alimentos. O estalo ou click pode ou não estar presente. A impossibilidade de abrir a boca amplamente pode estar sendo causada pela própria dor, ou por bloqueio da ATM, possivelmente em razão da patologia no disco interarticular, quer por perfuração, quer por calosidade, quer por movimento incorreto de translação em razão de espasmo do músculo pterigóideo externo.

Ao exame, existe dor à compressão digital sobre a articulação e/ou imediações. Ao abrir a boca, pode-se perceber ao tato a crepitação, quando existe. O desvio da boca para um dos lados significa bloqueio parcial ou total, do mesmo lado, que nem sempre é o lado da dor. O bloqueio força a articulação do lado oposto a maior translação e torsão (sobre seu próprio eixo) causando a sintomatologia. Portanto, a articulação que tem a patologia nem sempre é a dolorida. A mobilidade excessiva das ATMs não tem sido a causa principal da dor, pois 34% dos indivíduos normais têm esta condição.

A ausência de dentes molares ou a presença de próteses ou a má oclusão podem estar presentes e não ser a etiologia da afecção. Dentes gastos, principalmente os incisivos, demonstram que o paciente é tenso e range os dentes. O diagnóstico é eminentemente clínico. Radiografias nada demonstram. As variações radiológicas normais das ATMs são tão diversas que pouco ou nada ajudariam no diagnóstico(13).

A ressonância magnética (RM) dinâmica é de grande valia no diagnóstico porque permite a observação da movimentação do disco e do côndilo e o relacionamento entre eles. A RM não deve ser realizada na fase aguda porque certamente iria demonstrar alguma patologia. Os exames laboratoriais de sangue apenas teriam papel no diagnóstico em caso de reumatismo.

Classificação das Disfunções

São várias as causas da disfunção da ATM que causam a dor. Podemos reuni-las em 2 grandes grupos: disfunções intrínsecas, aquelas envolvidas diretamente com a articulação e sua cápsula, e extrínsecas, as que atuam a distância, extracapsulares, como o estado emocional e as distonias musculares. Como em tudo, do maior conhecimento do profissional sobre a fisiopatologia do sistema mastigatório e suas peculiaridades, maior a facilidade em reconhecer e apontar o caminho para o tratamento adequado(14).

Podemos dividir as disfunções da ATM em categorias:

1. Fatores Intrínsecos

a) Desordem do disco articular
  • deslocamento ântero-lateral com redução
  • perfuração do disco sem redução

b) Capsulites e Sinovites
c) Artrites
  • traumática
  • infecciosa

d) Artroses
e) Fibrose capsular
f) Anquilose óssea
g) Defeitos do desenvolvimento
h) Neoplasias

2. Fatores Extrínsecos

a) Desordens musculares
  • espasmos e contraturas
  • miosites

b) Fibrose e anquilose extracapsular
c) Neoplasias

Cada ATM possui um disco entre o côndilo da mandíbula e a fossa articular. O disco amortece a carga enquanto possibilita à mandíbula abrir amplamente e realizar movimentos. Qualquer problema que impeça esse complexo sistema de músculos, ligamentos, discos e ossos de trabalhar em conjunto de maneira adequada pode resultar em um distúrbio doloroso da ATM.

O tratamento envolve uma série de passos que podem incluir exercícios de redução do estresse, relaxantes musculares ou uso de um protetor bucal para evitar o ranger dos dentes. Esses passos foram bem sucedidos para muitas pessoas e seu dentista pode recomendar aquele que seja melhor para você.

A ATM é parte de uma unidade funcional altamente especializada. Compõe o aparelho da mastigação, incluindo neste conjunto os dentes e su...




A ATM é parte de uma unidade funcional altamente especializada. Compõe o aparelho da mastigação, incluindo neste conjunto os dentes e suas estruturas, a mandíbula e sua musculatura, e, com muito menor influência, a deglutição e a fonação, que atuam na movimentação da ATM.

O côndilo mandibular (processo condilóide) é de forma semicilindróide, com 15 a 20 mm de comprimento, por 8 a 10 mm de largura, cujo maior eixo é em ângulo reto com o ângulo da mandíbula.

A fossa articular oposta ao côndilo (cavidade glenóide), situa-se na escama do temporal, anterior ao osso timpânico, e na parte mais anterior, denominada eminência ou tubérculo articular. Semelhante ao revestimento do capitulum mandibular, aqui o revestimento é fibroso. Entre as 2 superfícies articulares interpõe-se um disco oval, fibroso, avascular e de grande resistência à pressão. Fino na parte central, vai se espessando para a periferia de modo a ajustar ambas as partes convexas, do côndilo à eminência articular. O disco tem 1 mm de espessura na parte central, altamente resistente à pressão e de fácil deslizamento, dividindo a ATM em 2 compartimentos: o superior, amplo e deslizante, e o inferior, bem menor, que cobre apenas o capitulum do processo condilóide.


Todos os elementos acima estão envolvidos por uma cápsula fibrosa, forte em sua face externa e tênue em sua parte interna, e bastante frouxa para permitir os movimentos amplos da articulação (Figs. 1 e 2).


Fig. 1 - Representação esquemática da ATM. Note o músculo pterigóideo externo com 2 cabeças: uma para tracionar o disco e outra para o côndilo.


Fig. 2 - No movimento de translação (ântero-posterior), e com a boca aberta, o disco se interpõe entre o côndilo e a eminência articular. Na articulação em que há luxação-redução, o disco é traumatizado e pode causar a dor.



Inervação da ATM

No espaço ou fossa retromandibular, o nervo auriculotemporal é responsável pela sensibilidade da articulação. Outros ramos desviam-se para inervar o tímpano e a parede anterior do conduto auditivo externo. O estímulo intenso e contínuo de um nervo por meio de sinais no núcleo central, junto aos neurônios intimamente relacionados com o nervo estimulado, produz dor refletida. É um fenômeno central com um estímulo de origem periférica. Como exemplo, a dor intensa em um dente na mandíbula (zona do nervo dental inferior) pode levar à trigemialgia. Isto explica sob o ponto de vista da neurologia, dores na região do trigênio oriundas na ATM, e pode confundir o diagnóstico correto(9).

Há grande distinção entre os movimentos livres e os movimentos mastigatórios. No primeiro, a musculatura acha-se relaxada, enquanto na mastigação a potência da contração muscular imprime uma dinâmica diferente à ATM. Basicamente existem 3 movimentos:

1. Rotatório, em torno do eixo do côndilo, no sentido anteroposterior, como acontece com uma dobradiça.
2. Translatório, com o deslizamento da cabeça do côndilo e do disco sobre a cavidade glenóide da escama do temporal.
3. Torsão, quando os movimentos de ambos tornam-se assimétricos, com o desvio lateral do mesmo.

A combinação desses movimentos permite uma ampla e variada movimentação da mandíbula.

Mecanismo da crepitação

O estalo ou click da articulação ouvido pelo paciente, e às vezes pelo examinador, é uma crepitação articular pouco esclarecida. Surge e desaparece espontaneamente em 50% da população(10). Ele ocorre por uma descoordenação entre o côndilo e o disco durante o movimento de translação, no qual perdem por um momento a sua relação de alinhamento.

Em casos mais severos de bloqueio da ATM, o disco articular pode estar deslocado em direção anterior ou dobrado sobre si mesmo, como demonstram artrografias feitas com radiografias computadorizadas(11) ou na ressonância magnética dinâmica.

A presença do "estalo" na articulação sem acompanhamento de bloqueio ou de dor não tem o menor significado patológico, uma vez que não produz disfunção que justifique tratamento mais enérgico. É muito freqüente como o é na coluna cervical em seus movimentos.

Bloqueio

Bloqueio da ATM é o fenômeno que ocorre com o disco interarticular, que, por um motivo qualquer, não permite que o côndilo faça o movimento de translação (postero-anterior) suavemente. Clinicamente o bloqueio é traduzido pela interrupção parcial ou total do movimento mandibular. Como a mandíbula é um arco rígido, o bloqueio da ATM de um lado produz o desvio de mento para o lado homólogo, criando o movimento de rotação. No bloqueio total a boca abre até o limite do bloqueio.

Bruxismo

Durante o sono, com o paciente inconsciente, toda a musculatura do corpo se encontra relaxada, inclusive a da mastigação. O trincar e/ou ranger dos dentes durante o sono significa que os estímulos musculares partem do subconsciente.

Quando o paciente não o sabe por um observador acordado, os dentes incisivos gastos e a dor na ATM pela manhã podem esclarecer o diagnóstico. O bruxismo vem quase sempre acompanhado de forte dose de tensão, o que piora o quadro. Nem todo indivíduo que sofre de bruxismo tem dor.

    O bruxismo é uma desordem funcional cara...

 
Segundo a OMS, 30% das pessoas no mundo sofrem com bruxismo
 

O bruxismo é uma desordem funcional caracterizada pelo apertamento e ranger dos dentes durante a noite. Com diferentes causas, sendo a mais comum o estresse, a condição tem uma variedade de tratamentos que incluem, por exemplo, botox, fisioterapia e quiropraxia. Todas podem ser combinadas com a tradicional placa dentária.

Esse apertamento involuntário é provocado por uma hiperatividade do sistema nervoso, que leva a uma maior atividade dos músculos da mastigação e resulta no ranger dos dentes durante o sono. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 30% das pessoas no mundo sofrem com bruxismo. No Brasil, esse número pode chegar a 40%.

Alguns dos sintomas do bruxismo são dor de cabeça, pescoço, face e na região das têmporas. A condição afeta mais mulheres do que homens, principalmente a partir dos 25 anos, quando elas atingem o pico hormonal.

Outro motivo para o diagnóstico tardio é o fato de as pessoas buscarem solução apenas para os sintomas. Elas acabam buscando um neurologista, um otorrino. Por conta do diagnóstico ser demorado, o bruxismo aumenta, mas logo que se identifica, o tratamento é simples.

A placa dentária de acrílico é usada na maioria dos casos, uma vez que o paciente já tem desgaste dentário significativo e, involuntariamente, continua apertando os dentes. A placa tem o objetivo de descondicionar o travamento, fazendo com que os dentes deslizem sobre ela. Mas, muitas vezes, tira a placa e volta a acontecer.

Associada à placa, a fisioterapia atua com exercícios de fortalecimento e alongamento para que a pessoa volte a ter a plena função da articulação temporomandibular (ATM). O apertamento cria um processo inflamatório, e muitos pacientes travam a articulação, aberta ou fechada, porque há disfunção na ATM. A fisioterapia diminui o processo inflamatório.

Recuperar essa função é importante porque o bruxismo tem impactos socioemocionais. O paciente não consegue se alimentar, tem dificuldade de comer algo mais duro. Geralmente, ele passa por isso há muitos anos, não consegue trabalhar, se socializar, fazer atividades diárias comuns. Por conta da ansiedade, gera problema psicológico também. Com fisioterapia e placa dentária, o paciente acaba vivendo bem.

No caso do botox, a toxina botulínica diminui o tônus muscular e, consequentemente, a força da mastigação. Pela minha experiência, é o que funciona mais, tende a melhorar. Mas a ação é temporária e novas aplicações precisam ser feitas.

Outra técnica que pode ser aliada no tratamento do bruxismo é a quiropraxia, que atua na desordem muscular e articular. A cervical tem ligação direta com essa região da mandíbula e a quiropraxia ajuda que a movimentação da articulação da mandíbula ocorra de forma mais correta. Também normaliza o tônus na musculatura do pescoço e da face, porque diminui a dor do esforço que é feito a mais.

No caso, a técnica melhora as consequências do bruxismo, diminuindo a tensão nos dentes com foco em nós da musculatura, chamados de "trigger points" (pontos de gatilho, em tradução livre). Claro diz que os estalos tradicionalmente conhecidos na quiropraxia são vácuos formados no meio das articulações. Quando eles são "rompidos", libera o fluxo de conexão entre cérebro e corpo e vice-versa.

A técnica pode ser usada em todos os tipos de bruxismo e em qualquer pessoa. Dependendo do caso e da idade, há apenas adaptações de movimento e intensidade e são poucas as contraindicações. Já na primeira sessão é possível sentir alívio dos sintomas do bruxismo.

Cirurgia

Geralmente, não há necessidade de cirurgia em casos de bruxismo. No entanto, Fabiana explica que em casos mais graves o travamento dos dentes faz com que o disco articular da ATM saia do lugar. Além disso, luxação dos ligamentos e processo degenerativo de tanto bater osso com osso pode levar a um provável procedimento cirúrgico, que é simples e minimamente invasivo.

INTRODUÇÃO A articulação temporomandibular (ATM) é considerada a mais complexa do corpo humano. A ATM realiza movimentos rotacionais e...



INTRODUÇÃO

A articulação temporomandibular (ATM) é considerada a mais complexa do corpo humano. A ATM realiza movimentos rotacionais e translacionais devido à articulação dupla do côndilo do osso temporal. O fato de a ATM apresentar duas articulações (côndilos) conectadas à mandíbula exige que trabalhem de forma sincronizada entre a oclusão dental, o equilíbrio neuromuscular e a própria articulação. Essa articulação fica vulnerável a alterações funcionais ou patológicas, propiciando desarranjos como a disfunção temporomandibular (DTM)1.

A DTM é definida como um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a ATM e os segmentos adjacentes. Esses distúrbios impactam o equilíbrio dinâmico das estruturas, levando a uma série de sinais e sintomas típicos dessa disfunção. Dores na face, ATM e/ou músculos mastigatórios e cefaleia são os principais. Outros sintomas, menos frequentes, que podem estar presentes são manifestações como zumbido e vertigem. Quanto aos sinais, encontram-se primariamente a sensibilidade muscular e da ATM à palpação, limitação e/ou distúrbios do movimento mandibular e ruídos articulares. Estima-se que 40 a 75% da população apresente no mínimo um sinal de DTM, como ruídos, e pelo menos um sintoma, como dor na face ou na ATM (33%)2.

A DTM acomete grande parte da população mundial. Esse fato faz com que seja essencial o desenvolvimento de técnicas terapêuticas para seu tratamento. A fisioterapia contribui para amenizar os sintomas da DTM, pois estimula a propriocepção, produção do líquido sinovial na articulação, melhora a elasticidade das fibras musculares aderidas e a dor3.

Dessa forma, para minimizar os efeitos causados pela DTM, a fisioterapia torna-se fundamental e parte integrante no tratamento desses pacientes.

Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi organizar as evidências científicas sobre os tratamentos fisioterapêuticos utilizados em pacientes com desordens temporomandibulares.

CONTEÚDO

A revisão sistemática foi realizada a partir de consulta retrospectiva às bases de dados Scielo, Pubmed e LILACS. A coleta de artigos foi realizada em setembro de 2016, sendo a estratégia de busca formulada por meio do cruzamento de descritores (DeCS e MeSH), sendo incluídos apenas as pesquisas realizadas com pacientes diagnosticados com disfunção ou desordem temporomandibular e tratados com técnicas de fisioterapia. Além disso, os estudos deveriam ser em português ou inglês, publicados de agosto de 2006 a agosto de 2016. Nas bases Scielo e LILACS (DeCS), utilizaram-se os seguintes cruzamentos: "articulação temporomandibular" AND "fisioterapia" OR "transtornos da articulação temporomandibular" AND "fisioterapia". Já no Pubmed (MeSH), os artigos foram obtidos por meio dos cruzamentos entre "Temporomandibular Joint" AND "physiotherapy techniques" OR "Temporomandibular Joint Disorders" AND "physiotherapy techniques". Na fase inicial, os títulos e os resumos foram identificados e avaliados de forma independente por dois revisores, para selecionar os que atendessem aos critérios de elegibilidade. Os artigos que não se encaixaram nos critérios descritos foram excluídos pela análise do título, seguido da exclusão pelo resumo e, por fim, os estudos potencialmente relevantes foram retidos para uma análise posterior do texto na íntegra. As informações relevantes foram apresentadas em forma de tabelas descritivas, considerando-se as seguintes variáveis: ano, país, amostra, desfechos avaliados, desenho metodológico, intervenção e efeitos encontrados.

Na pesquisa inicial nas bases de dados foram encontrados 32 artigos. Após uma primeira seleção por título foram excluídos 13 artigos, restando 16 para análise dos resumos. Desses, foram selecionados 11 artigos que se enquadraram nos critérios de inclusão estabelecidos. A Figura 1 mostra o processo de seleção dos artigos incluídos. A tabela 1 apresenta a relação dos estudos selecionados que utilizaram técnicas fisioterapêuticas para o tratamento das desordens temporomandibulares.

Figura 1 Busca de dados 

Tabela 1 Descrição dos estudos selecionados que utilizaram técnicas fisioterapêuticas para o tratamento das desordens temporomandibulares 

Estudo Amostra Desfechos avaliados Desenho metodológico Intervenção Efeitos encontrados
Priebe, Antunes e Corrêa3 Média de idade: 31,6 anos.Indivíduos de ambos os sexos: 20 mulheres e 5 homens Questionário de critérios diagnósticos em pesquisa para desordens temporomandibulares (RDC/TMD).Fichas de avaliação da presença de ruídos articulares, sensação dolorosa das regiões musculares e articulares, Valores de limiar doloroso à pressão em 16 músculos avaliados bilateralmente: temporal anterior, médio e posterior, masseter superior, médio e inferior, esternocleidomastoideo e trapézio superior, através do algômetro de pressão. Estudo longitudinal O programa de fisioterapia incluiu a combinação de modalidades terapêuticas, com enfoque sobre as estruturas do sistema craniocervicomandibular, como: ultrassom terapêutico, liberação miofascial, terapia manual, exercícios de alongamento e neuromusculares, além de orientações de autocuidado e de exercícios domiciliares. 76% apresentaram ausência de diagnóstico de DTM logo após o tratamento. Destes, 17 (68%) mantiveram esse resultado no follow-up de dois meses, conforme a avaliação do RDC/TMD. Quanto à sensibilidade da dor à pressão, não houve diferença significativa no limiar da dor na comparação dos resultados logo após o tratamento e após dois meses do seu término.Os ruídos articulares permaneceram ausentes em 60% dos pacientes.Em relação à dor durante a palpação, das 24 estruturas analisadas no RDC/TMD, 21 delas mantiveram os resultados pós-tratamento no período de follow-up, com exceção do masseter inferior direito, pterigoideo lateral direito e tendão do temporal esquerdo.
Franco et al.16 Uma paciente de 35 anos10 sessões, 1 vez por semana. Ficha de avaliação fisioterapêutica, composta por avaliação da ADM, inspeção palpação exames físicos. Relato de caso, avaliado pré e pós-intervenção e reavaliado 15, 30 e 60 dias após o termino da intervenção. Realizados alongamentos passivos de ECOM e trapézio, aplicação de laser de baixa intensidade de arsenito de gálio (AS-GA) parâmetros 4J para área da articulação de forma pontual e 8J na área muscular na forma pontual e varredura com distância de 1mm, com modo pulsátil 1min por ponto. Relaxamento facial com técnicas de deslizamento, orientações para exercícios caseiros complementares, alongamentos ativos da musculatura cervical extensores e flexores da cabeça e pescoço. Técnica de desativação de PGM. Manutenção noturna da placa oclusal miorrelaxante. Ouve redução gradual das sensações dolorosas por meio da EAV, a média de alivio da dos sintomas dolorosos foi de 20% por sessão, alcançando valor de zero nas últimas sessões.
Freire et al.6 Média de idade: 34,5 anos24 indivíduos (21 do sexo feminino e 3 do masculino) Questionário de critérios diagnósticos em pesquisa para desordens temporomandibulares (RDC/TMD)Índice temporomandibular (ITM) e seus sub-índices Estudo longitudinal, 10 sessões. Avaliados antes do tratamento (AV1), imediatamente após o tratamento (AV2) e dois meses após o final do tratamento (AV3) Ultrassom de 3 MHz em modo contínuo, com intensidade de 1,3 W/cm2, durante 3 minutos para dor crônica; em modo pulsado com intensidade de 0,5 W/cm2, durante 3 minutos para dor aguda.Termoterapia superficial com radiação infravermelha durante 20 minutos.Liberação miofascial e alongamento bilateralmente.Técnicas de distração e massagem terapêutica na coluna cervical e na ATM.Exercício com tubo de borracha de silicone Redução do número de diagnósticos em todos os subgrupos e ausência de diagnóstico em 41,7% dos 24 participantes após o tratamento. Significante redução do ITM na comparação entre AV1 e AV2 (p = 0,000). Não houve diferença entre AV2 e AV3 (p = 0,204) em 13 participantes avaliados dois meses após o término do tratamento.
Amaral et al.7 Média de idade: 25,6 anos.50 indivíduos de ambos os sexos Questionário de critérios diagnósticos em pesquisa para desordens temporomandibulares (RDC/TMD)Avaliação estabilométrica sobre uma plataforma de força, com os olhos abertos e fechados. Estudo longitudinal Grupo DTM (apresentar DTM, desvio ou deflexão mandibular) e grupo controle (não apresentar DTM) Mobilização mandibular inespecífica (MMI). O paciente é posicionado em decúbito dorsal e luvas descartáveis foram utilizadas pelo terapeuta; o quinto quirodáctilo posicionado em cima do segundo ou terceiro molar (se presente) para realização da MMI, em pequeno grau, intermitentemente durante um minuto, sendo realizadas cinco repetições. Entre cada mobilização, foi realizada, por dez vezes, abertura bucal com língua na papila incisiva, para promover um relaxamento local. Diferença estatisticamente significante somente para o grupo DTM no centro de oscilação de pressão (p<0,03) no deslocamento mediolateral (p<0,006), na amplitude mediolateral (p<0,01) e na variável velocidade nas direções anteroposterior, (p<0,03) e mediolateral (p<0,03).
Gomes et al.5 Média de idade: 22,5 anos.25 indivíduos de ambos os sexos. Questionário RDC/TMD. - Avaliação da dor através da EAV. Ensaio clínico randomizado, duplamente encoberto. GE (grupo experimental): 10 aplicações de EEAV e no GP (grupo placebo): 10 aplicações com o aparelho desligado. Eletrodos posicionados bilateral na porção lateral do músculo temporal (canal1), sobre o masseter (canal2) e o eletrodo disperso na região cérvico torácica (cervical baixa torácica alta), parâmetros usados frequência de 10Hz, largura de pulso fixada pelo aparelho em dois pulsos gêmeos de 20us cada um com intervalo de 100us voltagem a 100 volts ambos os canais com duração de 30 min de 2 a 3 vezes por semana. Comparação intragrupo observou se que 10 aplicações de EEAV catódica promoveu redução da dor no GE, enquanto no GP não se notou diferença. O GE apresentou maior redução da intensidade da dor comparado com o GP.
Borin et al.8 40 mulheres, com idade entre 20 e 40 anos Questionário da RDC-TMD, a gravidade da DTM foi verificada antes e após o tratamento pelo Índice de Fonseca. Ainda avaliou o Índice de Disfunção Crâniomandibular. A dor foi avaliada, antes e após o tratamento, pela EAV. Ensaio clínico randomizado. Indivíduos divididos em dois grupos: GA: acupuntura, que realizou intervenção duas vezes por semana (n=20); e controle GC: que não realizou tratamento As participantes do GA foram submetidas a acupuntura duas vezes na semana por cinco semanas ininterruptas. O tratamento foi realizado com agulhas descartáveis (0,25x0,15mm) inseridas nos respectivos pontos com a pele previamente limpa com algodão e álcool etílico a 70%. A terapia de acupuntura totalizou 10 atendimentos. Os pontos selecionados para o tratamento foram os referidos na literatura como pontos para o tratamento da DTM e pontos para ansiedade. Verificou-se melhora no nível de gravidade pelo índice crâniomandibular (p=0,004) e pelo Índice de Fonseca (p=0,000) de indivíduos com DTM após o tratamento por acupuntura, e no nível de dor (p=0,000). Segundo a classificação pelo Índice de Fonseca. Antes do tratamento os indivíduos apresentaram a seguinte classificação para DTM: 6 com grau moderado e 14 com grau grave. Após o tratamento, observou-se por esta classificação: 7 com grau leve, 10 moderado e 3 grave.
Basso, Corrêa e Silva4 Participaram do estudo 20 indivíduos de ambos os sexos Média de idade: 27,5 anos. Questionário de RDC/TMD.Fotografia com câmera digital para avaliação postural. Estudo transversal, qualitativo, 10 semanas de intervenção.GI: desordem mus-cular; GII: deslocamento de disco; GIII: outras condições articulares. O grupo intervenção foi submetido a 10 sessões de RPG por 45min, 1 vez por semana adotando duas posturas por sessão de terapia. Posturas sem carga, e posturas com carga. O GII obteve melhora na redução da dor orofacial crônica.
Calixtre et al.12 12 mulheres com idade média de 22.08±2.23 anos A dor e a função da mandíbula foram avaliadas com o MFIQ, além disso o nível de abertura da boca sem dor e os PG de masseter e músculo temporal foram avaliados. Estudo longitudinal grupo, avaliação pré e pós 5 semanas de intervenção. Submetidos a 10 sessões de aproximadamente 35min. Mobilização de cervical em flexão, Mobilização anteroposterior e posteroanterior em C5, exercício de estabilização de flexão craniocervical, alongamento. A função mandibular aumentou em 7 pontos na escala após a intervenção (p=0,019) e dor diminuiu significativamente (p=0,009). O nível de abertura da mandíbula variou de ±8.8 a 38±8.8 mm para 38±8.8 mostrando melhora significativa (p=0,017), a dor em ambos os masseteres e temporais melhoraram.
Machado et al.11 Participaram do estudo 82 indivíduos com DTM crônica e 20 indivíduos saudáveis (idade média 30 ± 9.6 anos) Gravidade da DTM através da parte II do Questionário ProTMDmulti, pontos de tensão pela palpação, e a funcionalidade orofacial pelo Orofacial Myofunctional Evaluation with Scores. Ensaio clínico randomizado. Os participantes foram divididos em GI: Laser e exercícios oromandibulares, GII: terapia muscular orofacial, GIII: laser placebo e exercícios oromandibulares, GIV: Laser, GC: saudáveis. Submetidos a 12 sessões de 45min. GI: laser contínuo I=60mW por 40s e D=60±1.0 J/cm2 e exercícios para língua, bochechas e músculos mandibulares, treinamento orofacial funcional; GII: exercícios para língua, bochechas e músculos mandibulares, treinamento orofacial funcional; laser; estratégias para diminuição da dor; GIII: laser placebo e exercícios; GIV: laser. Ocorreu melhora em ambos os grupos em todos os âmbitos avaliados com estabilidade no follow-up, quando comparados entre si todos os grupos tratados não mostraram diferenças sobre pontos de tensão a palpação no follow-up. GI, GII e GIII não mostraram diferença com o controle sobre a funcionalidade orofacial, enquanto diferiam significativamente de GIV (p<0,01).
Oliveira et al.15 32 adultos jovens com idade média de 24,7 ± 6,8 anos diagnosticados com DTM. Foi utilizado o da Fonseca questionnaire para a triagem inicial dos pacientes, após isso para dor foi utilizado a EAV e para a Qualidade de vida a WHOQOL-BREF. Ensaio clínico, duplamente cego. Os pacientes foram divididos em dois grupos: A - ativo submetido a exercício mais estimulação transcraniana não invasiva e B - controle que realizou exercícios mais falsa estimulação. O protocolo de tratamento durou 4 semanas, todos os participantes realizaram exercícios que continham liberação miofascial, alongamento muscular, tração cervical, exercícios para melhorar a ADM da mandíbula, fortalecimento muscular entre outros. Além disso o Grupo A recebeu 20min de estimulação não invasiva transcraniana com amplitude de 2mA, com eletrodos localizados sobre C3 ou C4 (região do córtex motor), nos indivíduos do Grupo B se posicionou os eletrodos no mesmo local, porém a corrente durou 30 segundos. As características clínicas da doença nos dois grupos foram iguais após o tratamento, quanto a qualidade de vida pode-se perceber que os dois grupos obtiveram resultados positivos. A intensidade de dor dos grupos diminuiu após o segundo dia de tratamento, mas de formas diferentes e ao final percebeu-se que o Grupo A teve níveis de dor menor do que o Grupo B, porém a diferença não foi estatisticamente significativa.
Tosato et al.9 n=20 mulheres, com idade entre 22 e 46 anos, com média de 31,75±8,71 anos, com DTM miogênica, com dor na musculatura mastigatória. RDC-TMD após isso para dor foi utilizado a EAV e eletromiógrafo de superfície para captar o sinal elétrico dos músculos masseter e temporal. Estudo clínico randomizado. Indivíduos divididos em G1: controle e G2: intervenção A amostra foi dividida em 2 grupo: Grupo 1 recebeu uma sessão de 30 minutos de massoterapia na face, na região de masseter e temporais, enquanto o Grupo 2 receberam estimulação elétrica nervosa transcutânea durante 30 minutos, na região dos músculos masseteres e temporais. Ambos os grupos apresentaram aumento na atividade eletromiográfica dos músculos masseteres e temporais, tanto em contrações isométricas como isotônicas concêntricas. Também houve redução significativa na dor, em ambos os grupos.
Freitas et al.10 1 paciente, 37 anos, diagnosticada com DTM há 5 anos. A parir da EAV se avaliou a dor, mensurou-se a ADM mandibular e avaliação clínica postural. Estudo experimental de caso clínico Utilizou-se o Laser na região da ATM utilizando a técnica pontual com densidade de energia (ΔE) 3J/cm² e atingindo uma energia final de 2,6 J, desativação de pontos-gatilho miofasciais nos músculos masseter, pterigoideo, temporal, occipital, escaleno, ECOM e trapézio fibras superiores, por 45 segundos em cada ponto e mobilização articular utilizando a técnica de deslizamento cefálico longitudinal e anterior da ATM grau II. O paciente apresentou melhora na dor, aumentou a amplitude articular da ATM e nas seguintes alterações posturais:mandíbula prognata, cabeça em posição neutra, coluna cervical com lordose fisiológica e ombros alinhados. Na parte muscular houve melhora no tempo de ativação muscular nos músculos da face.

ADM = amplitude do movimento; EAV = escala analógica visual; PGM = pontos-gatilho miofascial; DTM = disfunção temporomandibular; EEAV = estimulação elétrica de alta voltagem; RPG = reeducação postural global; RDC-DTM = critério de diagnóstico para pesquisa de desordens temporomandibulares; MFIQ = Mandibular Functional Impairment Questionnaire.

DISCUSSÃO

Este estudo revelou resultados eficazes em relação aos tratamentos fisioterapêuticos utilizados para DTM. Os estudos de Basso, Corrêa e Silva4 e Gomes et al.5 relataram que a fisioterapia é capaz de promover melhora dos sintomas clínicos referentes à dor. Além disso, de uma forma geral, a fisioterapia estimula a propriocepção e a produção do líquido sinovial na articulação e melhora a elasticidade das fibras musculares aderidas3.

Analisando os resultados obtidos pela estratégia de busca, observou-se maior concentração de estudos no ano de 2015, havendo uma única publicação em 2010. É válido ressaltar que as pesquisas foram desenvolvidas em território norte e sul-americano. Evidencia-se também que os participantes dos estudos foram voluntários de diferentes faixas etárias, porém, a média de idade das amostras analisadas correspondeu à população de meia-idade. Esses mesmos trabalhos apontam para elevada porcentagem de mulheres. Entretanto, ainda não existe consenso na literatura sobre a razão da maior prevalência no sexo feminino do que no masculino.

Dos 11 artigos que foram utilizados neste estudo, sete usaram como forma de avaliação o Questionário de Critérios Diagnósticos em Pesquisa para Desordens Temporomandibulares (RDC/TMD). Esse questionário é reconhecido mundialmente e tem como objetivo estabelecer critérios confiáveis e válidos para diagnosticar e definir subtipos de DTMs3-9. Já nos estudos de relatos de casos foi utilizada a ficha de avaliação fisioterapêutica, que inclui: inspeção, amplitude do movimento, palpação e exame físico10.

Outro aspecto importante no tratamento das DTM é a frequência e a duração das sessões da fisioterapia. Considerando o número de sessões, em sete estudos foram realizadas 10. Contudo, no estudo de Freitas et al.10, o autor sentiu a necessidade de um maior número de sessões, totalizando 15 sessões. Isso demonstra que a maior parte dos autores concorda com a quantidade de sessões realizadas. Ao analisar a frequência das sessões, houve discordância perante os estudos de Priebe et al.3 e Basso, Corrêa e Silva4 por exemplo, o número foi de uma vez por semana, já Borin et al.8, Freitas et al.10 realizaram duas vezes por semana.

Ressalta-se que, as DTM podem estar relacionadas com a postura. Nos estudos de Basso, Corrêa e Silva4 e Freitas et al.10 realizou-se a avaliação postural procurando encontrar evidências como anteriorização da cabeça, aumento da lordose cervical e não nivelamento dos ombros. A estabilometria foi utilizada como método de avaliação por Amaral et al.7 Esse teste é uma forma de mensurar o equilíbrio estático, que consiste na quantificação das oscilações anteroposteriores e laterais do corpo, enquanto o indivíduo permanece de pé sobre uma plataforma de força. A avaliação desses parâmetros torna-se importante pois sabe-se que a DTM pode causar alterações no equilíbrio.

As DTM podem apresentar-se como dor muscular e/ou articular, diminuição da amplitude bucal, cefaleia, distúrbios nos movimentos mandibulares, estalos articulares5. No decorrer do processo de pesquisa, notou-se que a variável dor foi a única selecionada por unanimidade nos estudos. A dor é um dos principais sintomas referidos pelos pacientes com DTM sendo que 75% deles apresentaram desconforto ou disfunção da articulação temporomandibular. Um dos métodos encontrados para a avaliação da dor foi através da escala analógica visual (EAV)5,9,10,16. Apenas o estudo realizado por Gomes at al.5 apresentou cálculo amostral com base nos valores de desvio padrão obtidos pela EAV, fornecendo medidas de intensidade de dor. Por sua vez, Priebe, Antunes e Corrêa3 utilizaram o algômetro de pressão - Dinamômetro Force Dial® FDK/FDN (Wagner Instruments), como método de avaliação desse quesito. Ambos foram satisfatórios para a avaliação dos parâmetros da dor nesses pacientes.

O tratamento fisioterapêutico objetiva o alívio dos sintomas, buscando restabelecer a função normal do aparelho mastigatório do paciente, para isso diferentes técnicas podem ser utilizadas. De acordo com os estudos, os aparelhos como o laser, ultrassom e corrente catódica, são benéficos no tratamento. Todavia, a terapia manual, através de exercícios de alongamentos musculares, mobilizações articulares e exercícios para estabilização segmentar cervical podem estar inclusos no processo de reabilitação7,10-12,16.

Tosato, Biazotto-Gonzalez e Caria9 utilizaram a eletromiografia para avaliar a ativação elétrica dos músculos masseter e porção anterior do músculo temporal e a EAV para mensurar a dor. A amostra composta por 20 mulheres foi dividida em dois grupos. Ambas passaram pelo processo de avaliação descrito. Depois, o grupo 1 foi submetido a 30 minutos de massoterapia na região de masseter e porção anterior do temporal; o grupo 2 recebeu 30 minutos de estimulação elétrica nervosa transcutânea, sobre os mesmos músculos. Após, os dois grupos foram reavaliados e, ambos apresentaram maior ativação muscular e redução estatisticamente significativa da dor. Demonstrando que a terapia manual é benéfica e pode ser empregada na redução de dor de DTM. Machado et al.11 investigaram a eficácia da combinação do uso de laser terapêutico de baixa intensidade com exercícios motores orais na reabilitação de pacientes com DTM. Foram selecionados 82 pacientes com DTM crônica e 20 pacientes saudáveis que formaram o grupo controle. Os indivíduos foram divididos de forma aleatória em 5 grupos. GI: laser + exercícios orofaciais; GII: terapia miofuncional orofacial, que consistia em alívio da dor e exercícios orofaciais; GIII: laser placebo e exercícios orofaciais e GIV: laser. O laser teve como objetivo a analgesia (parâmetros utilizados: tamanho da onda de 780-nm; intensidade de 60 mW, 40 s e 60 ± 1.0 J/cm²) e os exercícios orofaciais foram usados para restabelecimento da sua funcionalidade. Todos os grupos tratados obtiveram melhora significativa em relação ao grupo controle. Comparando os grupos tratados, percebeu-se que os grupos que utilizaram laser e exercícios orofaciais e terapia miofuncional orofacial obtiveram resultados mais efetivos. Franco et al.16 também utilizaram o laser de baixa intensidade, associado a exercícios de alongamento muscular da cervical e placa noturna oclusal miorrelaxante. A intervenção perdurou 10 sessões e obteve redução do quadro álgico.

Já a mobilização articular foi eleita como tratamento no estudo de Amaral et al.7, Freitas et al.10 e Calixtre et al.12. Porém, cada estudo teve sua particularidade. No estudo de Amaral et al.7, a mobilização mandibular inespecífica (MMI) foi utilizada, a fim de promover melhora do controle postural em indivíduos com DTM. Freitas et al.10, além da mobilização articular, utilizaram a desativação de pontos-gatilho miofasciais e exercício de estabilização cervical como tratamento para DTM, melhorando aspectos como dor, equilíbrio muscular e postura. Já Calixtre et al.12 realizaram mobilização articular de C5, exercícios de estabilização cervical e alongamento muscular passivo da região dorsal superior, e obtiveram aumento da abertura da boca e redução da dor.

Basso, Corrêa e Silva4 mostram que a postura em indivíduos com DTM é prejudicada. Neste estudo o RPG foi utilizado, propondo uma atuação terapêutica de alongamentos visando o equilíbrio das tensões miofasciais e da postura corporal como um todo. Esse tratamento é capaz de reduzir a intensidade da dor orofacial e melhorar sintomas psicológicos da DTM, assim como melhora do alinhamento e simetria corporais.

O tratamento também pode ser focado sobre as estruturas do sistema craniocervicomandibular, como apontam os estudos realizados por Priebe, Antunes e Corrêa3 e Freire et al.6. Os alongamentos passivos dos músculos ECOM e trapézio, relaxamento facial com técnicas de deslizamento, alongamentos ativos da musculatura cervical extensores e flexores da cabeça e pescoço foram técnicas utilizadas.

A aplicação de agulhas de acupuntura também pode trazer benefícios para o manuseio da DTM, que tem como finalidade o controle da dor, principalmente quando de origem muscular. Borin et al.8 aplicaram agulhas em pontos específicos na região do arco zigomático, no músculo masseter e processo mastoide. Após a intervenção, observou-se que a acupuntura promove redução significativa no nível de dor e na gravidade da DTM, demonstrando uma redução em 75% no grau da dor (p=0,000).

El Hage et al.13 investigaram o efeito imediato da aplicação de massagem facial no equilíbrio estático em indivíduos com DTM. Nesse estudo participaram 20 indivíduos diagnosticados com DTM que foram avaliados por meio de uma plataforma de equilíbrio que calculava as oscilações que ocorriam nos planos anteroposteriores e médio-laterais. As avaliações ocorreram de olhos fechados e abertos, no primeiro momento antes do descanso (linha de base), após 10 minutos em descanso em decúbito dorsal (pré-massagem) e após a aplicação da técnica (pós-massagem). Os resultados mostraram que só houve diferença significativa na avaliação realizada com os olhos fechados nas oscilações anteroposteriores.

Em outro estudo realizado por Amaral et al.14, foi utilizado o mesmo protocolo para avaliar os efeitos da MMI. Os participantes foram divididos em dois grupos: 25 indivíduos com DTM e 25 indivíduos sem DTM. A mobilização consistiu no terapeuta posicionar o quinto quirodáctilo sobre o segundo ou terceiro molar durante um minuto, em pequeno grau de amplitude, promovendo o deslocamento da mandíbula em protrusão, por cinco vezes. Entre cada repetição havia um relaxamento local. De acordo com a avaliação após MMI, houve melhora do controle postural em ambos os grupos, sugerindo uma possível estimulação do sistema trigeminal que, por sua vez, influenciaria no equilíbrio.

Técnicas mais atuais para o tratamento da DTM foram um dos achados desta revisão. A estimulação não invasiva, incluindo a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), [AS1] [RSM2] pode ser considerada uma alterativa para o tratamento da dor. Oliveira et al.15 avaliaram a dor e a qualidade de vida de pacientes com DTM após serem submetidos à intervenção fisioterapêutica e estimulação não invasiva durante quatro semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos (grupo A e grupo B) que realizaram exercícios que continham liberação miofascial, alongamento e fortalecimento muscular, tração cervical, exercícios para melhorar a amplitude do movimento da mandíbula. Além disso, o grupo A recebeu 20min de ETCC com amplitude de 2mA, com eletrodos localizados sobre C3 ou C4 (região do córtex motor), enquanto o grupo B recebeu estimulação sham. A intensidade de dor dos grupos diminuiu de forma diferente e ao final do tratamento percebeu-se que o grupo A teve níveis de dor menor do que o grupo B, porém a diferença não foi estatisticamente significativa.

A fisioterapia é efetiva e melhora a função física de indivíduos com DTM. A partir desta revisão nota-se que diversos recursos como o ultrassom, laser, corrente catódica, ou ainda, terapias manuais como alongamento muscular e mobilização articular trazem benefícios notáveis. Porém, com a baixa qualidade metodológica, o pequeno número de participantes da maior parte dos estudos deixa aberto uma lacuna sobre o melhor tratamento para a DTM. Além disso, maior número de estudos de ensaio clínico randomizado e que avaliem follow-up são necessários.

CONCLUSÃO

A fisioterapia pode beneficiar pacientes com DTM reduzindo a dor e aumentando a mobilidade, além de reequilibrar a ATM.

Fontes de fomento: não há.

REFERÊNCIAS

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2 Carrara SV, Conti PC, Barbosa JS. Termo do 1º Consenso em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. Dental Press J Orthod. 2010;15(3):114-20. [ Links ]

3 Priebe M, Antunes AG, Corrêa EC. Estabilidade dos efeitos da fisioterapia na disfunção temporomandibular. Rev Dor. 2015;16(1):6-9. [ Links ]

4 Basso D, Corrêa E, Silva MA. Efeitos da reeducação postural global no alinhamento corporal e nas condições clínicas de indivíduos com disfunção temporomandibular associada a desvios posturais. Fisioter Pesqui. 2010;17(1):63-8. [ Links ]

5 Gomes NC, Berni-Schwarzenbeck KC, Packer AC, Bigaton DR. Efeitos da estimulação elétrica de alta voltagem catódica sobre a dor em mulheres com DTM. Rev Bras Fisioter. 2012;16(1):10-5. [ Links ]

6 Freire AB, Nardi AT, Boufleur J, Chiodelli L, Pasinato F, Corrêa EC. Multimodal physiotherapeutic approach: Effects on the temporomandibular disorder diagnosis and severity. Fisioter Mov. 2014;27(2):219-27. [ Links ]

7 Amaral AP, Politti F, Hage YE, Arruda EE, Amorin CF, Biasotto-Gonzalez DA. Efeito imediato da mobilização mandibular inespecífica sobre o controle postural em indivíduos com disfunção temporomandibular: ensaio clínico controlado, randomizado, simples cego. Br J Phys Ther. 2013;7(2):121-7. [ Links ]

8 Borin GS, Corrêa EC, Silva MT, Milanesi JM. Acupuntura como recurso terapêutico na dor e na gravidade da desordem temporomandibular. Fisioter Pesqui. 2011;18(3):217-22. [ Links ]

9 Tosato JP, Biazotto-Gonzalez DA, Caria PH. Efeito da massoterapia e da estimulação elétrica nervosa transcutânea na dor e atividade eletromiográfica de pacientes com disfunção temporomandibular. Fisioter Pesqui. 2007;14(2):21-6. [ Links ]

10 Freitas DG, Pinheiro IC, Vantin K, Meinrath NC, De Carvalho NA. Os efeitos da desativação dos pontos-gatilho miofasciais, da mobilização articular e do exercício de estabilização cervical em uma paciente com disfunção temporomandibular: um estudo de caso. Fisioter Mov. 2011;24(1):33-8. [ Links ]

11 Machado CC, Mazzeto MO, da Silva MA, de Felício CM. Effects of oral motor exercises and laser therapy on chronic temporomandibular disorders: a randomized study with follow-up. Lasers Med Sci. 2016;31(5):945-54. [ Links ]

12 Calixtre LB, Grüninger BL, Haik MN, Albuquerque-Sendín F, Oliveira AB. Effects of cervical mobilization and exercise on pain, movement and function in subjects with temporomandibular disorders: a single group pre-post test. J Appl Oral Sci. 2016;24(3):188-97. [ Links ]

13 El Hage Y, Politti F, Herpich CM, de Souza DF, de Paula Gomes CA, Amorim CF, et al. Effect of facial massage on static balance in individuals with temporomandibular disorder - a pilot study. Int J Ther Massage Bodywork. 2013;6(4):6-11. [ Links ]

14 Amaral AP, Politti F, Hage YE, Arruda EE, Amorin CF, Biasotto-Gonzales DA. Efeito imediato da mobilização mandibular inespecífica sobre o controle postural em indivíduos com disfunção temporomandibular: ensaio clínico controlado, randomizado, simples cego. Braz J Phys Ther. São Carlos. 2013;17(2):121-7. [ Links ]

15 Oliveira LB, Lopes TS, Soares C, Maluf R, Goes BT, Sá KN, Baptista AF. Transcranial direct current stimulation and exercises for treatment of chronic temporomandibular disorders: a blind randomised-controlled trial. J Oral Rehabil. 2015;42(10):723-32. [ Links ]

16 Franco AL, Zamperini CA, Salata DC, Silva EC, Albino Júnior W, Camparis CM. Fisioterapia no tratamento da dor orofacial de pacientes com disfunção temporomandibular crônica. Rev Cubana Estomatol. 2011;48(1):56- 61. [ Links ]

Recebido: 03 de Maio de 2017; Aceito: 08 de Novembro de 2017

Por

Marcelo Pelicioli1 

Rafaela Simon Myra1 

Vivian Carla  Florianovicz1 

Juliana Secchi Batista2 

1Universidade do Estado Santa Catarina, Faculdade de Fisioterapia, Florianópolis, SC, Brasil.

2Universidade de Passo Fundo, Disciplina de Fisioterapia, Carazinho, RS, Brasil.

  As disfunções da ATM podem ter diversas causas . Entre elas, fatores emocionais, como estresse, tensão e ansiedade, até mesmo por que...

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As disfunções da ATM podem ter diversas causas. Entre elas, fatores emocionais, como estresse, tensão e ansiedade, até mesmo por questões físicas, como alguma batida ou deslocamento ou mesmo um hábito errado, tais quais roer as unhas ou usar um lado mais do que o outro.

Vamos falar sobre as mais frequentes:

Má-oclusão ("mordida errada")

Há vários tipos de má-oclusão e o ortodontista poderá fazer o diagnóstico correto sobre a oclusão. Os indivíduos que apresentam algum tipo de má-oclusão têm predisposição para problemas de ATM.

Traumatismos (batida forte, acidentes)

De acordo com estatística publicada no Journal of the American Dental Association, os traumatismos (pancadas) são responsáveis por mais de 44% dos problemas de ATM. (JADA 1990; 120:267)


Hábitos


Alguns hábitos podem causar pressões inadequadas na ATM, como o bruxismo Ranger os dentes), apertamento (tensão), morder objetos estranhos, roer unhas, mastigar chicletes. A persistência destes microtraumatismos leva a lesões degenerativas da articulação.

Aceleração/desaceleração cervical (Whiplash)

Freqüentemente relacionado a acidentes de carro (geralmente em batidas por trás), o brusco movimento da cabeça causa estiramento e compressão dos componentes da ATM, podendo danificá-la.

Abertura excessiva da boca

Todas as articulações do corpo têm limitações de movimento. Quando a boca é mantida aberta de modo exagerado, poderá haver danos à articulação.

Lassidão Ligamentar

Algumas pessoas possuem todos os ligamentos das articulações relativamento frouxos, com hipermobilidade (provavelmente por questões genéticas). A lassidão ligamentar em sí não apresenta problema; no entanto, sua associação com outros fatores predisponentes pode levar a alterações na ATM.

A disfunção da ATM também pode estar relacionada a:

  • alterações sistêmicas (atrite reumatóide, etc)
  • postura errada
  • estresse físico e psicológico
  • alterações hormonais (por exemplo: menopausa)
  • depressão e ansiedade 
Publicado em 21/08/12 e revisada em 10/04/19

A Fisioterapia é uma profissão que tem como foco a recuperação física de pessoas com inúmeras patologias, que se manifesta...



A Fisioterapia é uma profissão que tem como foco a recuperação física de pessoas com inúmeras patologias, que se manifestam basicamente por dois sintomas: dor e perda de função.

O objetivo de todo o tratamento fisioterapeutico é equilibrar a musculatura que envolve a ATM e o sistema mastigatório, aliviar as dores ocasionadas pela DTM, reestabelecer as funções musculares e a amplitude articular, prevenir o aparecimentos de outros sinais e sintomas, promover uma mudança de comportamento no paciente, dando-lhe consciência funcional e postural; e proporcionando-lhe uma melhoria significativa no seu quadro de disfunção e consequentemente na sua qualidade de vida.

A intervenção fisioterapêutica na síndrome da disfunção da ATM dependerá do nível de comprometimento de cada paciente. O objetivo da terapia consistirá em reduzir a queixa de dor e aumentar a funcionalidade da articulação.

Deste modo as principais terapêuticas utilizadas na DTM são:

  • Terapia Manual (Fisioterapia Manipulativa),
  • Cinesioterapia,
  • Em alguns casos: Eletrotermofototerapia e Crioterapia.

Portanto, para que a abordagem fisioterapêutica nas disfunções da articulação temporomandibular seja eficaz, é necessário que, o profissional desenvolva uma boa avaliação clínica e utilize dentre seus inúmeros recursos, o mais indicado para cada caso, promovendo a funcionalidade da articulação e o alívio dos sintomas.

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