Tratamento de fraturas dos côndilos mandibulares.


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Apesar dessa realidade, o tratamento dessas fraturas na literatura ainda é muito controverso. Muitas escolas optam pelo tratamento conservador, enquanto outras elegem a cirurgia através de redução aberta e fixação, seja por meio do fio de aço e bloqueio maxilomandibular (BMM), seja através de fixação interna rígida com miniplacas e parafusos de titânio. Com relação à indicação do tratamento, alguns fatores devem ser levados em consideração: idade do paciente, estado da dentição, colaboração e integração do paciente ao tratamento e, principalmente, o tipo de fratura e associação com outras fraturas faciais.

Nos casos das fraturas subcondileanas altas e capitais, intra-articulares, bem como nos casos de fraturas subcondileanas baixas, ou seja, as extra-articulares (quando a fratura não tem deslocamento significante), a literatura sinaliza, principalmente em casos de crianças e adultos jovens, para o tratamento conservador, na sua grande maioria, através de BMM. Nos casos de fraturas subcondileanas baixas onde há deslocamentos mais significativos a opção é pelo tratamento cirúrgico.

No tratamento das fraturas condileanas, diferentemente das outras fraturas mandibulares, onde o objetivo é a recuperação morfológica do osso fraturado de pronto, o restabelecimento precoce da função deve ser prioritário, posto que trata-se de articulação dotada de mobilidade. E quando falamos em função, devemos ter em mente a manutenção da oclusão dentária (pré-existente ao trauma) e de um jogo articular normal. Por isso, entendemos que o tratamento dessas fraturas através de BMM, sem tratá-las funcionalmente, não é adequado às necessidades da função.

Em verdade, depois dos trabalhos de Lebourg e Darcissac na França (anos 20) e posteriormente Schettler e Rehrmann, em 1966 e principalmente após os trabalhos do Delaire (1974), o tratamento conservador das fraturas condileanas teve grande avanço. Delaire preconizou o tratamento funcional das fraturas condileanas, através da instituição de uma mobilização ativa em propulsão, auxiliados por dispositivos dos mais diversos (aparelhos ortodônticos, arcos vestibulares, mobilizadores etc), além do trabalho miofuncional, permitindo o mais precocemente possível restabelecer a função do complexo disco-músculo pterigóideo externo, que guiará o restabelecimento da articulação fraturada, que é dotada de alto potencial de remodelação. A terapia fonoaudiológica miofuncional é fundamental no restabelecimento do jogo articular e deve ser mantida por, no mínimo, seis meses, dependendo da resposta do paciente.

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